X Manifesto

 

MANIFESTO X

 

X é uma letra que é letra e tudo o que letra não é.
Uma variável, que tudo e nada tem de variável.
Uma incógnita que só o é, quando o deixa de ser.
Um reflexo dela mesma que nada reflecte o que é.
Quem olha X, olha com os seus olhos e os de mais ninguém.
Pessoal e intransmissível, sempre igual e diferente.

A pergunta, a resposta.
O racional, o irracional.
A verdade, a mentira.
O tudo, o nada.

Sou eu.
És tu.

Sonha.
Sê diferente e descontente, procura a perfeição;
Voa para além dos céus, vê para além do horizonte;
Sente para além dos dedos, existe para além da existência;
Faz bater mais depressa o coração;

Vive.
Insiste, procura, recua e avança;
Quebra as regras, a vida é curta;
Arrisca tudo, não existe piedade para aquele que hesita;
Sê feliz e faz alguém feliz;

Destrói.
Quebra as correntes que te amarram;
Cria batalhas contigo mesmo: não há mais beleza, a não ser na luta;
Esquece os caminhos que te levam sempre aos mesmos sítios;
Risca tudo, começa de novo;

Cria.
Toma as atitudes que ninguém toma e usa os meios que ninguém usa;
Abre a mente e o coração ao mundo que te rodeia;
Vive obcecado com a vida, apaixona-te pelos detalhes;
Sente cada abraço, cada decepção, cada momento;

Acorda!
És o choque, a ruptura, a vontade;
Mais que um corpo, és uma alma que se quer libertar;
Sê revolucionário, missionário, anarquista e artista;
Sê tu mesmo;

Uma viagem entre o antes e o agora, entre a realidade e o sonho.
Um beijo que morde sem tocar.
A assinatura de quem não sabe assinar.
Entre forma e coisa, entre símbolo e acto.
A perpétua contradição que dá sentido ao sentido.
X é marcar e é a marca.

A maldição, a benção.
O profano, o sagrado.
A morte, o nascimento.
O fim, o início.

Sou eu.
És tu.

Ass.
X